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Postado por em 11 out 2013 em Fishing Stories | 2 comentários

André Nagae: Sangue de pescador

André Nagae: Sangue de pescador

Desde pequeno sempre fui influenciado pelas pescarias que meu pai fazia com os meus tios e avôs. Como muitas famílias japonesas, a minha também era fanática por pesca. Creio que esta tenha sido uma influência desde a geração do meu bisavô, que chegou ao Brasil a cerca de 100 anos atrás em um dos primeiros navios a desembarcar aqui.

Em minha infância, sempre ouvia as histórias de meu avô em suas mais diversas aventuras de pesca nos rios do interior do Paraná e no litoral de São Paulo. E até hoje, com 93 anos, meu avô relembra com precisão, seus melhores momentos de pesca em sua vida. Quantas vezes já ouvi as histórias do Robalão pego no costão do Guarujá, da super pescaria de Corimbas no sítio dele ou até mesmo as trapalhadas de pesca em que seu irmão deixou cair a água do camarão-vivo, toda sobre ele em um dos acampamentos noturnos na pescaria costeira.

Foto de umas das pescarias do meu avô no costão do Guarujá (meados dos anos 60)

Foto de umas das pescarias do meu avô no costão do Guarujá (meados dos anos 60)

Isso só me faz acreditar cada vez mais que são as coisas que fazemos com paixão, que relembramos de cada detalhe. E espero eu daqui a 60 anos, poder relembrar das mais memoráveis fisgadas que estão por vir.

Meu pai por sua vez, também sempre foi adepto da pescaria, especificamente em água salgada (não tenho dúvidas a quem puxei). Fascinado pela pescaria, não desgrudava de sua vara nunca. Em viagens com amigos e família, sempre a sua varinha estava presente e assim que podia, lógico, pescava!

Meu pai e parentes pescando em Caraguatatuba (Litoral Norte de SP)

Meu pai e parentes pescando em Caraguatatuba (Litoral Norte de SP / 1979)

Meu pai e uma betara na praia de São Lourenço (Bertioga / 1985)

Meu pai e uma betara na praia de São Lourenço (Bertioga / 1985)

Junto do meu avô e mais alguns tios, juntaram dinheiro para comprar um motor Johnson 15HP, que está aqui até hoje, a fim de fazer pescarias embarcadas no canal. Como meu pai na época trabalhava em Santos, acabou aproveitando e tirando a carteira de Arrais amador e assim viabilizando as pescarias com seus tios.

Exploravam Jd. Casqueiro, Canal de Bertioga e a região de Santos, sempre atrás de especificamente um peixe, o Robalo.

Em paralelo a esse vício na pescaria com camarão vivo atrás dos bocudos, tinha uma outra paixão, a pescaria em alto-mar. Era nos cascalhos de Bertioga que se reunia com meus tios e iam pescar a bordo do barco Bismarck do falecido capitão Sr. Roberto.

Meu pai e tios pescando na companhia do Sr. Roberto

Meu pai e tios pescando na companhia do Sr. Roberto (a dir.)

Eu por minha vez, desde pequeno sempre pude acompanhar as voltas do meu pai nas pescarias, com aqueles todos aqueles peixes que eu sabia o nome, mas nunca tinha experimentado pescar. Isso porquê na época, dos 7 aos 10 anos, meu pai só me levava para pescar na Represa Billings. Local aonde posso dizer que foi o meu pré-primário na pescaria.

Foi na pescaria de barranco com varinha de mão que aprendi os passos fundamentais na pescaria. A conviver com a natureza, descobrir os peixes e ter paciência… ahhh a paciência 🙂 Mesmo não tendo 1/100 das preocupações que temos hoje, pescar era extremamente relaxante e gratificante.

Meu primo Sérgio e eu (megagordo) na Represa Billings

Meu primo Sérgio e eu (megagordo) na Represa Billings

Entre pescarias na Represa Billings e saídas do meu pai para o alto-mar, comecei a ter vontade de pegar peixes maiores. Mas meu pai ainda não estava confortável o suficiente para me levar para pescar embarcado. Também, lembrando agora eu até entendo. Moleque daquele jeito e estabanado, haja paciência!

Então o jeito foi arriscar em pesque-pagues, lembro muito bem das minhas pescarias na pousada do pescador, na estrada velha, e do meu primeiro peixe de quilo capturado, um pacu.

Meu primeiro peixe de 1kg (e eu quase 80)

Meu primeiro peixe de 1kg (e eu quase 80)

Foi quando ao completar 10 anos de idade, após uma pescaria de canal em Iguape com os meus tios, que meu pai prometeu me levar para o alto-mar, caso eu me comportasse no barquinho de alumínio. E eu, já sonhando com este tão esperado dia, cumpri o meu dever. Até que o grande dia chegou. A minha primeira pescaria em alto mar.

Aí vieram uma série de novas descobertas:

O primeiro peixe espada

O primeiro peixe espada

A primeira Bicuda

A primeira Bicuda

O primeiro Dourado e o sorriso estampado no rosto

O primeiro Dourado! (meu primo Ricardo que também nos acompanhava nas pescarias)

As primeiras utilizações do chicote corvineiro! E a mesma vara de 1989 do meu pai.

As primeiras utilizações do chicote corvineiro! E a mesma vara de 1989 do meu pai.

A medida do possível, sempre tentávamos variar nossas pescarias. Frequentava bastante a plataforma de pesca de Mongaguá, com os meus tios e meu primo Sérgio, grande companheiro de pesca durante toda minha adolescência.

Plataforma de Mongaguá

Plataforma de Mongaguá

Paru escondendo minha cara gorda

Paru escondendo minha cara gorda

E tão logo, o início pelo vício na pescaria atrás dos Robalos no canal de Bertioga.

Garoupa no camarão vivo

Garoupa no camarão vivo

Bom, esta minha jornada vocês podem acompanhar desde o início do meu blog, o qual foi criado exclusivamente para anotar este meu diário de bordo em busca do tão sonhado Robalão.

Acho que foi isso aí pessoal. Estes foram os caminhos que percorri na minha vida de pesca. Espero que esta jornada ainda possa ser longa e acumular muitas boas memórias de fisgadas e momentos de pesca para eu poder relembrar cada detalhe ,e daqui a 60 anos, poder compartilhar destas emoções com as crianças que pertencem a esta data.

Fishing Stories

Fishing Stories

Ah! Uma coisa engraçada é que desde pequeno sempre gostei de registrar minhas fotos de pesca e gravar vídeos… eu sonhava em um dia ter a minha própria revista, mostrar meus troféus, minhas dicas e compartilhar com os amigos. Bom, levando para a era moderna e do digital, creio que este meu sonho está sendo realizado 🙂 agora só falta o robalão…

Boas pescarias!

André Nagae.

  • Passamal

    hehehe muito legal esse tunel do tempo!

    Voce fez sua primeira pescaria em alto mar com a mesma idade q eu!!!

    Na ocasiao eu aprendi q ficar “dormindo” no barco segurando a vara de qualquer jeito… pode te derrubar dentro da agua… qdo voce tem somente 10 anos hehehe

  • Tiago Pleffer

    Puts eu também sempre quis muito pescar embarcado no mar, mas só fui aos 17 anos com meu primo ja que meu pai sempre mareou muito, ele foi uma vez pro mar e disse que nunca mais voltaria…rsrsrsr

    ainda bem que agora eu tirei o atraso desse tipo de pescaria…rsrsr

    mas dos 6 aos 10 é complicado mesmo, a época em que eu pescava uns lambaris, atirava pedras na represa, gostava de acender fogueiras… no barco de bass eu me comportava mas era beem díficil pra uma criança pegar o “diabinho verde”… kkkkkkkkk

    Grande post Nagae !