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Postado por em 19 jan 2016 em Água salgada, Destaque, Fishing Stories, Montagem | 7 comentários

Montagem de chicote para pesca de praia

Montagem de chicote para pesca de praia

Aproveitando o auge do verão e também alguns comentários e sugestões dos leitores do site, resolvi compartilhar com vocês dicas para montagem de chicote para pesca de praia. Não sou nenhum expert na pescaria de praia, mas para os iniciantes creio que posso dar algumas dicas das montagens que costumo utilizar.

A famosa PDP é uma modalidade que pessoalmente gosto muito e também é muito cômoda de se realizar, digo isso pois na época do verão muitos costumam viajar pra praia com a família ou até mesmo fazer um bate-volta para passar o dia, então fica muito fácil de conciliar uma pescaria durante esses momentos, além de claro, ser uma pescaria muito econômica.

Antes de falar sobre as montagens em si, é importante falar que na PDP a isca mais comum a ser utilizada é o camarão morto. Na minha opinião é a isca natural que mais tem produtividade com os diversos peixes que encontramos na praia, como por exemplo: corvina, pampo, betara, roncador, bagre, entre outros.

Dica: Geralmente o camarão comercializado em mercados de peixe, contém conservante. Portanto caso você faça uma pescaria com camarões vivos ou uma pesca de traineira em alto mar com camarões frescos, sempre guarde os camarões que sobraram e congele em casa para sua pescaria na praia. Camarões sem conservante tem uma produtividade muito superior, além de sua carne ser bem mais consistente para iscá-los no anzol.

Bom, chega de fundamentos e vamos ao que interessa! Vou apresentar pra vocês os 3 principais chicotes que costumo utilizar nas minhas pescarias na praia, começando pelo mais tradicional e simples de todos.

Chicote de mini pargueira

Este é o chicote preferido do meu pai. Sempre o utilizamos na pescaria de praia e também no costão.

É um chicote muito simples de se fazer e necessita de poucos apetrechos, sendo assim um chicote muito bom para emergências e agilidade durante a pescaria.

Materiais necessários:

  • Linha monofilamento 0,45mm;
  • Anzol maruseigo 13 -14;
  • Snap ou presilha;
  • Girador;
  • Chumbo pirâmide;
Componentes da mini pargueira

Componentes da mini pargueira

Passo 1:

Pegue aproximadamente 1 metro da linha mono para confecção do chicote.

A primeira coisa que eu faço na construção do chicote é logo amarrar o snap e anexar o chumbo para que fique mais fácil para manusear a montagem das pernadas na linha principal. A função do snap para unir o chumbo é de ser um facilitador na troca da chumbada, caso precise aumentar ou diminuir a gramatura.

Detalhe do snap anexando o chumbo no chicote

Detalhe do snap anexando o chumbo no chicote

Passo 2:
Para a confecção da pernada, você deve deixar um espaço de aproximadamente 1 palmo do chumbo, e como na imagem abaixo, torça a linha até que se forme uma argola e a linha fique entrelaçada. Repita este movimento enrolando e desenrolando a linha até que fique no comprimento que você deseja. Geralmente deixo as pernadas com cerca de 15cm.

Depois que tiver a pernada, basta dar um nó duplo na base da mesma para que se fixe o chicote.

Formando a pernada do chicote

Formando a pernada do chicote

Passo 3
Para colocar o anzol é muito fácil, o único segredo é utilizar anzóis que possuem olho e seguir os passos abaixo.

Passo a passo demonstrando como anexar o anzol à pernada

Passo a passo demonstrando como anexar o anzol à pernada

Essa montagem simples do chicote é também muito fácil de efetuar a eventual troca de anzol. Basta fazer o procedimento inverso ao do diagrama acima.

Detalhe do anzol junto da pernada

Detalhe do anzol junto da pernada

 

Chicote com rotor de engate rápido

O famoso chicote com rotor de engate rápido é muito utilizado pelos pescadores experts na pesca de praia. Com uma montagem muito inteligente, permite ao pescador fazer várias configurações nas pernadas e proporcionam uma super sensibilidade na pescaria. Mas o grande segredo nesta montagem é o rotor.

A vantagem de se ter o rotor nesta montagem é que o engate rápido viabiliza a troca da pernada com muita agilidade, além de trabalhar com a rotação total ao redor de seu eixo, o que faz com que a pernada não enrosque no chicote.

Materiais necessários:

  • Linha monofilamento 0,45mm;
  • Anzol maruseigo 13 -14;
  • Snap ou presilha;
  • Girador;
  • Rotores de engate rápido;
  • Miçangas;
  • Chumbo pirâmide;
Componentes do chicote com rotores

Componentes do chicote com rotores

Passo 1:

Pegue aproximadamente 1,20m da linha mono para confecção do chicote.

Assim como na montagem anterior, amarre primeiramente o snap e anexe ao chumbo para facilitar o manuseio do restante do chicote.

Detalhe do snap anexando o chumbo no chicote

Detalhe do snap anexando o chumbo no chicote

Passo 2:

Deixe um espaço de aproximadamente 15cm do chumbo e de um nó duplo na própria linha do chicote.

Em seguida coloque na exata ordem: primeiro a miçanga, em seguida o rotor e por final mais uma miçanga. Para arrematar faça mais um nó duplo na mesma linha do chicote para travar a pernada na posição. Desta maneira o seu rotor estará preso na posição devido aos nós que travam a linha. A função das miçangas é de aliviar o atrito causado pelo retor na linha principal.

Detalhe da estrutura do rotor com as miçangas

Detalhe da estrutura do rotor com as miçangas

Na verdade a montagem original deste chicote é feito com um nó basculante, também conhecido como nó de correr. Este nó é feito com uma linha (geralmente de costura) e ao invés de travar a posição do chicote, pode ser manuseada para alterar a altura dos chicotes. Eu pessoalmente não utilizo esta montagem pois acho que dá mais trabalho 😛 e também gosto de ter as posições travadas no meu chicote.

Para fazer a pernada do chicote, basta pegar um pedaço de aproximadamente 25cm da linha mono e em uma ponta da linha amarrar o anzol e na outra dar um nó duplo, formando assim um pequeno caroço que servirá para você anexar ao engate rápido.

A primeira pernada sempre deve ter o comprimento suficiente para atingir o fundo

A primeira pernada sempre deve ter o comprimento suficiente para atingir o fundo

A distância entre uma pernada e outra deve ser o suficiente para que as pernadas não se enrosquem, a minha dica é que a pernada de baixo deve ser a mais comprida (cerca de 20cm), pois ela precisa fazer com que o anzol encoste na areia. Já a pernada de cima tem a função de fisgar os peixes na meia-água, portanto não é necessário ser tão comprida quanto a pernada de baixo.

 

Chicote de isca viva

O terceiro chicote é um pouco mais pretensioso, focando nos peixes grandes. Porém é um chicote que já tive muito sucesso nas pescarias em minha adolescência utilizando iscas vivas na famosa praia de Massaguaçu em Caraguatatuba / SP. E também é um chicote que quero testar bastante em 2016.

Este chicote pode ser utilizado tanto com iscas vivas do local como pequenas betaras, canguás, roncadores, pampos e paratis. E também com iscas mortas como camarão inteiro, corrupto, lula, sardinha, marisco e tatuíra.

Materiais necessários:

  • Linha fluocarbon 30lb;
  • Anzol WideGap (2/0) ou Circle Hook (1 ou 2);
  • Snap ou presilha;
  • Girador triplo;
  • Chumbo pirâmide;
Componentes do chicote para isca viva

Componentes do chicote para isca viva

A construção deste chicote é extremamente simples, basta unir todos elementos no girador triplo, que será a chave principal para esta montagem. Para a pernada, costumo utilizar cerca de 70cm de linha fluocarbon 30lbs.

A utilização do fluor nesta montagem é que você está arriscado a pegar peixes maiores e com dentição mais perigosas a sua linha. Peixes como Robalo, Pescada, Corvina, Arraia, Cação, entre outros podem marcar presença neste tipo de montagem.

Para arremessar este chicote, costumo utilizar o chumbo pirâmide invertido, desta maneira acho que facilita o lançamento devido ao pêndulo formado pelo chumbo inverso.

Detalhe da estrutura do chicote com girador triplo

Detalhe da estrutura do chicote com girador triplo

Para iscar os pequenos peixes que possuem lombo gordo, como betara, canguá e pampos, costumo iscá-los pelo dorso.

Já peixes que possuem cabeça chata como a parati, costumo iscá-la pela boca, na mandíbula inferior.

Exemplo de peixe iscado pelo dorso

Exemplo de peixe iscado pelo dorso

Neste tipo de montagem você também pode arremessar camarões-vivos, iscando-os tradicionalmente pelo chifre.

Camarão vivo iscado pelo ferrão

Exemplo de camarão vivo iscado pelo ferrão

Caso esteja pescando com camarão morto, é importante fisgá-los pelo corpo inteiro e utilizar o elastricot para garantir que ele não caia durante o arremesso.

Exemplo de camarão morto iscado inteiro

Exemplo de camarão morto iscado inteiro

Dica:Para organizar seus chicotes, separe-os dentro de saquinhos do tipo ziplock, desta maneira você fica com fácil acesso aos chicotes já prontos sem ter o perigo de ficar com sua caixa de pesca bagunçada. 😉

Dica: Utilize saquinhos do tipo zip lock para organizar seus chicotes

Dica: Utilize saquinhos do tipo zip lock para organizar seus chicotes

E foi isso aí amigos pescadores.

Espero que o artigo seja útil e que todos tenham ótimas fisgadas nas pescarias de praia neste ano. Escrevam nos comentários o que acharam deste post e caso tenham alguma sugestão é só nos contar!

Abaixo vocês podem conferir algumas fotos e vídeos de peixes capturados utilizando essas montagens.

Pampo verdadeiro

Pampo verdadeiro

Pampo Galhudo

Pampo Galhudo

Parati

Parati

Roncador

Roncador

Betara ou papa-terra

Betara, papa-terra ou perna-de-moça

Corvina

Corvina

Corvina na pescaria de praia

Corvina na pescaria de praia

A tranquila praia de Boiçucanga

A tranquila praia de Boiçucanga

Grande abraço,

André Nagae

  • Valter Augusto Fernandes

    Muito bom como sempre! Bem didático. No entanto gostaria de saber se na sua opinião, nas suas experiências, a fase da lua influencia na pesca de praia? Abraço!

    • fishingstories

      Boa tarde Valter! Muito obrigado pelo comentário!
      Na verdade, em minha opinião, não exatamente a fase da lua influencia na pesca de praia e sim a força da maré. Acredito que a melhor maré para ter boa produtividade na pesca de praia são durante as primeiras horas em que a maré está enchendo. É neste momento em que os pequenos peixes se aproximam da arrebentação próximo a beira para se alimentar e também é quando os crustáceos como corruptos, caranguejos e etc saem de suas tocas a procura de alimento. Ou seja, uma coisa puxa a outra pois por este acontecimento os peixes maiores também se aproximam da arrebentação.

      Fora o horário da maré, vale observar a intensidade dela. Ou seja, caso a variação da maré for muito grande, isso influenciará em ondas mais fortes o que pode dificultar a sua pescaria.

      Para iniciar na modalidade da pescaria de praia, recomendo que busque praias de tombo. Que são as que tem grande profundidade a curta distância e menos ondas. Isso facilita no arremesso e ajuda o pescador a identificar o que é batida de peixe e o que é marola.

      Espero que tenha ajudado!
      Grande abraço,
      André Nagae

      • Valter Augusto Fernandes

        Sensacional Nagae! Muito Obrigado!

      • Carlos Alberto

        Sou iniciante, muito grato pelas dicas amigo.

  • Donizeti Santos

    Show de bola!!! Vou utilizar muito as dicas.

  • Thiago Franchini

    Olá André Nagae!

    Muito boa suas dicas de chicote!

    Moro na Região da Grande São Paulo, e sou novato na pesca de praia!

    Só pesquei uma única vez, e ainda perdi um chicote! Rsrsrs, mas acredito que isso faça parte. A região em que fui pescar, é a Praia Grande (Canto do Forte), próximo ao morro. Gostaria de algumas dicas de pesca para esse tipo de região!

    Sempre que posso, vou nas lojas de pesca para comprar algumas coisas para deixar na reserva (Nunca sabemos quando vamos precisar né!), e nunca vi uma chumbada invertida.

    Você poderia indicar uma loja para compra? Pois gostei muito dessa dica!

    Parabéns pela didática para construção dos chicotes!

    Grande Abraço

  • Alexandro Ars Rodrigues

    show… AULA..