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Postado por em 20 jul 2017 em Água salgada, Destaque, Fishing Stories, Internacional | 1 comentário

Pescaria de férias no Japão

Pescaria de férias no Japão

Olá amigos pescadores!

Depois de umas férias no oriente, estou de volta ao Fishing Stories para atualizar vocês com as minhas últimas aventuras de pesca.

A jornada que durou aproximadamente 20 dias, teve como objetivo principal conhecer 2 países novos pra mim: China e a Coréia do Norte. Porém aproveitando que já estava do outro lado do mundo e gastei mais de 30 longas horas voando, dei um jeito do roteiro se estender até o Japão para fazer algumas compras, visitar amigos e lógico, pescar.

Palacio Imperial chinês, também conhecido como Cidade Proibida

Estátuas dos líderes Kim Il-Sung e Kim Jong-il em Pyongyang, Coréia do Norte

Chegando ao aeroporto de Tóquio

Diferente da outra pescaria que fiz no rígido inverno do Japão, desta vez estava retornando no ápice do verão, em condições completamente diferentes de pesca. Os peixes-alvo eram as 2 espécies favoritas do meu amigo e guia de pesca Capitão Keiichiro Okamoto, que nomeou sua operação de pesca SEAKURO: SEAbass (robalo japonês) e KUROdai (similar ao nosso Sargo-de-dente).

Comparação entre o nosso Robalo e o Seabass

Diferenças entre o Sargo-de-dentes (sheephead) e o Kurodai (seabream)

A marina de onde sai o barco do Cap. K. fica localizada na província de Kanagawa, cerca de 40 minutos de Tóquio por trem. Saindo da marina, em alguns minutos de navegação chegamos a gigantesca Tokyo Bay, que é uma região portuária onde ficam ancorados centenas de navios, fábricas, usinas nucleares e grandes comércios. E são nessas estruturas portuárias que ficam localizados os points de pesca.

Nota: Devido ao evoluído sistema de transporte japonês, é possível se locomover pelo país inteiro somente dependendo de trens e metrôs. Nunca imaginei que faria uma pescaria pegando trem, fazendo algumas baldeações e rapidamente sair da agitação do centro de Tóquio chegando aos points de pesca.

  • Começando o dia de pescaria na baía de Tóquio

A pescaria

Diferente dos guias de pesca brasileiros, lá no Japão as pescarias são divididas em 2 categorias:

  • 1/2 day fishing: Pescaria com duração de 4 a 5 horas;
  • Full day fishing: Pescaria com duração de 8 horas;

Geralmente o período de meio-dia de pesca é o suficiente para realizar uma pescaria muito produtiva, portanto essa foi a categoria que escolhi para realizar minha pescaria, que teve início as 4am e término as 9am.

Conversando com o guia, é nessa época do verão que o Kurodai aparece em grande quantidade próximo a pilares e estruturas de concreto na região portuária. O plano era sair antes do amanhecer para fazer a pescaria do Seabass utilizando plugs e softbaits e depois quando o sol desse as caras, era a hora de ir atrás do Kurodai, para uma pescaria bem diferente e muito técnica com iscas naturais.

Suzuki / Seabass

Iniciando os trabalhos!

Desta vez acabei levando meu próprio conjunto de pesca, que tinha acabado de comprar no Japão, consistia em:

  • Vara: Force Radar 8’6″ / 8-16lbs / 4 partes
  • Molinete: Shimano Stradic 2000
  • Linha: Multi PE 0.8
  • Líder: Fluor 16lbs

Seguindo a sugestão do guia, iniciei o trabalho com um plug de meia-água que ele havia me recomendado a utilizar: Lucky Craft B’Freeze Sinking.

Lucky Craft B’Freeze 65

O trabalho recomendado para a isca era o de recolhimento contínuo alternando com recolhidas mais rápidas (slow retrieve), porém sem movimentos de ponta de vara. Acertando a velocidade de recolhimento, a ação do peixe era certeira.

Começando o dia com um pequeno Seabass

O Seabass quando pequeno (abaixo dos 30cm) é chamado de Seigo e quando maiores passam a ser chamados de Suzuki. Assim como nossos Tricks e Robalos.

Aos poucos o tamanho do peixe ia aumentando!

O arremesso é sempre dentro das pilastras, fazendo a isca de meia-água praticamente lamber o marisco dos pilares.

Uma das estruturas de pesca para o Seabass

Mais um pequeno, porém valente Seabass capturado na isca de meia-água

Como no plug apenas os menores peixes estavam dando as caras, Cap. K falou para mudarmos de técnica e trocarmos o plug por uma softbait com jighead.

Softbait: Shad da Ecogear com jighead de 30gramas e um assisthook garatéia

A estrutura para arremessarmos shad também era diferente, ao invés das pilastras iríamos arremessar em baixo de píers quase que colados na água.

Estruturas onde atracam os navios

Os arremessos precisavam ser rasteiros porém longos

O trabalho do jighead também era totalmente diferente do que eu estava acostumado a trabalhar. Após arremessar a softbait por baixo do píer, era necessário deixar a isca cair até a meia-água e depois apenas trabalhar no recolhimento contínuo, fazendo dessa forma com que a isca nadasse apenas com movimentos na cauda.

E foi desta maneira que os maiores exemplares da pescaria foram fisgados!

Suzuki já na casa dos 50cm capturado no shad

Grandes exemplares que foram fisgados debaixo das estruturas!

Mais um belo Seabass

Arremessando também entre as pilastras a chance de tirar um bitelo era grande, assim como perdê-lo

O maior da viagem 🙂

Kurodai / Seabream

Depois de matar a saudade do Seabass, o sol já começava a esquentar e o horário para ir atrás do Kurodai havia chegado. Eram quase 7 horas e com a maré do porto abaixando, já era possível capturar os mariscos que seriam necessários para utilizar como isca na pesca do Kurodai.

Capt. K pegando os mariscos para a pesca do Kurodai

Mariscos frescos capturados

Para a montagem da pesca do Kurodai, utilizei o mesmo equipamento, porém fazendo as adaptações para a montagem de iscar o marisco. O chicote é bem simples, apenas com um anzol do modelo chinu pequeno e um chumbo desses que você precisa apertar com o alicate para fixar na linha, porém nessa montagem você fixa o chumbo no olho do anzol, ficando bem parecido com um jighead.

Montagem de chicote utilizado para a pesca do Kurodai

Os locais em que os cardumes de Kurodai ficam, são em aglomerados de pilastras que estão cobertas de cracas. Os cardumes se concentram nessa região apenas aguardando os mariscos, caranguejos e outros moluscos se desprenderem das pilastras. E por esse motivo a técnica utilizada era a de arremessar o marisco no meio das pilastras simulando essa queda livre.

Estruturas onde se alimentam os Kurodais

Praticamente por todo o porto é possível achar estruturas promissoras para pesca

O Kurodai é um peixe extremamente arisco e desconfiado, portanto a apresentação da isca na água, assim como a velocidade de queda, precisa ser muito bem administrada. Foram necessários muitos arremessos e enroscos até poder atingir a precisão necessária para fazer a isca cair no local e velocidade adequados.

Representação do marisco se desprendendo e o Kurodai atacando

Depois de aprender a lição do arremesso o passo seguinte era de conseguir tirar o demônio do meio das estruturas cortantes. Após algumas linhas estouradas e o coração quase sair pela boca, finalmente embarquei o meu primeiro Kurodai.

Meu primeiro Kurodai capturado!

Razão pela qual o Kurodai é parecido com o nosso Sargo-de-dentes

Um peixe cuja força é extremamente desproporcional ao seu tamanho! Só após fisgar um, pude entender a paixão dos japoneses para pescar esse peixe tão esportivo.

Grandes exemplares também eram capturados, ultrapassando os 2kg

Pegando o jeito para fisgá-los!

A brincadeira já estava boa demais, porém Capt. K me propôs um desafio para deixar a vara de molinete de lado e tentar a modalidade tradicional japonesa para pesca do Kurodai, chamada de Otoshikomi.

Equipamento de Otoshikomi (落とし込み= deixar cair)

Nunca havia visto esse equipamento antes, que consiste em uma vara de aproximadamente 2 metros com micropassadores e flexibilidade como uma vara robaleira telescópica. No lugar do molinete entrava uma carretilha bem parecida com a do fly, sem freio, com linha mono filamento e muita sensibilidade.

Carretilha de Otoshikomi

Como o assunto do Otoshikomi pode render ainda muitas informações, vou criar em uma próxima oportunidade uma matéria específica para explicar os detalhes dessa modalidade tradicional japonesa. Mas o que posso adiantar é que levei uma grande surra do equipamento para entender a sua dinâmica, e depois de muita paciência e didática do guia, pude sentir a emoção de fisgar o valente Kurodai no material de Otoshikomi, onde a grande diferença está em trabalhar o peixe sem a ajuda do freio de um molinete e numa briga muito mais esportiva.

Aprendendo a arremessar com o equipamento de Otoshikomi

Apanhando pra kct!

Tão feliz quanto eu capturando o Kurodai no Otoshikomi, também ficou o grande guia Okamoto.

Foi sofrido mas a experiência fez valer a pena!

Grande guia Capt. K!

Finalizamos nossa pescaria pouco depois das 9 horas, retornando a marina de pesca dentro dos canais da Tokyo Bay.

Retornando a marina

Capt. K

Um grande dia de aprendizado, novas espécies e novas técnicas que me ajudaram muito a crescer como pescador.

Agora é hora de colocar em prática as técnicas aprendidas no Japão com os nossos peixes brasileiros!

Pescar o Kurodai no Japão foi um grande sonho realizado. Que venham as próximas aventuras!
Um abraço e boas jornadas a todos pescadores!



Guia de Pesca:

  • Keiichiro Okamoto (Cap. K)
    www.seakuro.com
  • Tiago Pleffer

    Senssacional!! sem Dúvida muitas dessas tecnicas podem ser aplicadas ao porto de Santos… mas fiquei aqui sonhando como deve ser bom pescar nas pilastras sem que ninguém te expulse! hahahahha