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Postado por em 19 fev 2015 em Água salgada, Destaque, Fishing Stories, Internacional, Roteiros de pesca, Técnica | 10 comentários

Pescaria de Seabass no Japão

Pescaria de Seabass no Japão

Olá amigos pescadores!

Depois de uma longa jornada de férias no Japão, estou de volta para compartilhar com vocês algumas de minhas experiências no país que é grande referência em tudo o que se refere a pesca.

Durante a minha estadia de férias, aproveitei para visitar a gigantesca feira de pesca Osaka Fishing Show (que relatarei em breve) e também de realizar 2 pescarias atrás do cobiçado Seabass (Suzuki) na Baía de Tóquio, sendo uma pescaria diurna com Jigs e outra noturna com arremesso de Plugs.

Apesar de ser chamado de Robalo (Centropomus) por alguns brasileiros que moram no Japão, o Seabass ou Suzuki (Lateolabrax japonicus) é de uma família totalmente diferente porém com hábitos e características parecidas com os nossos Robalos.

Centropomus Undecimalis X Lateolabrax japonicus

Centropomus Undecimalis X Lateolabrax japonicus

No Japão é possível capturar o Seabass em locais de pesca iguais as nossas, ou seja, na pescaria costeira, de praia, canais, rios, e também em regiões portuárias, que foi o local de pesca que realizei por lá, na Tokyo Bay.

A enorme região portuária da Tokyo Bay

A enorme região portuária da Tokyo Bay

O Seabass é muito apreciado no Japão tanto pela culinária, quanto para a pesca esportiva. É um peixe que movimenta muito o mercado da pesca no Japão, recheado de  técnicas, equipamentos, iscas e tudo o que você puder imaginar projetados especificamente para a captura do Seabass.

Nesta época de inverno intenso no Japão, a captura do Seabass é mais restrita a pesca noturna, que é quando ele sobe a superfície para se alimentar de pequenos peixes que se aproximam de iluminações nas estruturas portuárias. Já durante o dia a sua captura fica mais difícil, pois passa maior parte do tempo no fundo e em estado de repouso.

Chega de contexto e vamos a pescaria!

Agendei 2 dias de pesca com o guia Capt. Keiichiro Okamoto, que atua na cidade de Yokohama especializado na captura do Seabass na Tokyo Bay. Conheci o seu trabalho através da indicação do amigo Shuichi Gotoh, que conheci através do Facebook e tive a oportunidade de conhecê-lo pessoalmente no meu segundo dia de pesca.

 

Parte 1: Pescaria Diurna

Como eu estava hospedado em outra cidade, um pouco longe da região de pesca, o Capt. K forneceu o serviço de translado me buscando no hotel e levando até o local da pescaria. Até daria para ir de trem até lá, mas como a pescaria começaria bem cedo, o transporte público ainda não estava em operação. E por volta das 6am já estávamos a caminho da Marina onde ele deixa o seu barco.

Um belo e gelado dia nos aguardava para a pescaria na Tokyo Bay

Um belo e gelado dia nos aguardava para a pescaria na Tokyo Bay

Depois de aproximadamente 50 minutos de carro, chegamos na Marina Daruma. Por lá os barcos utilizados pelos pescadores são todos mini lanchas de fibra e com potentes motores para navegar na imensa baía.

Marina Daruma, onde diversos barcos pesqueiros ficam estacionados.

Marina Daruma, onde diversos barcos pesqueiros ficam estacionados.

Embarcação do Cap. Keiichiro Okamoto, guia de pesca em Yokohama

Embarcações Top para a pescaria portuária

Capt. K, 20 anos de experência na Baía de Tóquio e um grande professor!

Capt. K, 20 anos de experência de pesca na Baía de Tóquio e um grande professor!

Após o café da manhã no barco e  instruções fornecidas pelo Cap. K, bora navegar em busca dos peixes!

Navegando por baixo das rodovias de Tóquio

Navegando por baixo das rodovias de Tóquio

Todos os points que batemos eram estruturas artificiais, como navios atracados, píers, pontes e decks.

Uma das principais estruturas eram os grandes navios atracados e pilastras de sustentação

Uma das principais estruturas eram os grandes navios atracados e pilastras de sustentação

Saindo da cidade em busca das estruturas para fisgar os Seabass

Saindo da cidade em busca das estruturas para fisgar os Seabass

Como estava sem equipamento, acabei alugando toda a tralha com o guia, que consistia em 2 perfis.

1. Equipamento de Jigging: Vara 6″ 25lbs, Carretilha perfil alto com linha multi 17lbs, Jigs de 40 a 60 gramas e leader de 25lbs.

2. Equipamento de Casting: Vara 5’3″ 17 lbs, Molinete 2500 com linha multi 17lbs, Iscas Vibration e grubs com jigHead.

Equipamento de Jigging que peguei emprestado do Cap. K

Equipamento de Jigging que peguei emprestado do Cap. K

Além dos jigs, também utilizamos as iscas do tipo Vibration

Além dos jigs, também utilizamos as iscas do tipo Vibration

Foram 2 os principais desafios em pescar no Japão. O primeiro foi vencer o frio absurdo que fazia no momento, ventava muito e os termômetros apontavam 3ºC.

Já o segundo desafio foi me adaptar as técnicas diferentes.

Por exemplo, o trabalho de Jig que eles fazem por lá é completamente diferente do que fazemos para o Robalo ou para a pescaria costeira em geral. Segundo o Cap. K, 90% dos ataques dos Seabass no Jig, são durante a primeira caída, mas para isso existe toda técnica na velocidade de caída que você precisa controlar com o dedo, e isso eu levei um bom tempo até me adaptar. Já durante o recolhimento, eles não trabalham o jig pindocando nem com fortes trancos na vara. Apenas fazem o recolhimento contínuo ou no máximo alternando em 3 recolhidas e 1 segundo de descanso. Foi uma baita lição aprendida!

A pescaria vertical consistia em descer o Jig encostado nas estruturas

A pescaria vertical consistia em descer o Jig encostado nas estruturas

Mas depois de tanto práticar eis que o primeiro Seabass da minha vida se rendeu ao jig! 😀

Meu primeiro Seabass fisgado!

Meu primeiro Seabass fisgado!

Uma grande felicidade que me fez esquecer o frio momentaneamente. Apesar das poucas ações as aulas particulares que eu estava tendo já estava valendo a pena estar lá.

Capt. K com o seu Seabass também capturado

E ensinando o trabalho correto do jig, Capt. K acaba capturando um bonito exemplar

O dia se manteve muito fraco em ações, mas além de jigar pude aprender também os trabalhos das iscas do tipo Vibration e diferentes tipos de arremessos com Molinete, coisa que não estou muito acostumado a fazer, já que costumo usar carretilha para baitcasting aqui no Brasil.

Apesar de toda a dedicação, o Seabass se demonstrava tímido e quase não dava sinal de vida.
Cap. K voltou no primeiro point onde eu capturei o primeiro peixe e ficou assistindo em como eu estava trabalhando o Jig, foi quando ele percebeu que a velocidade da caída ainda estava muito rápida e pediu para fazer mais um último arremesso deixando a isca cair mais lento possível. E inacreditavelmente o troféu do dia deu as caras.

Troféu do dia, grande Seabass de mais de 50cm

Troféu do dia, grande Seabass de mais de 50cm

Mais uma foto do troféu!

Mais uma foto do troféu!

Foi para fechar com chave de ouro! E assim encerramos a primeira etapa da pescaria.

Fim de pescaria diurna na Tokyo Bay

Fim de pescaria diurna na Tokyo Bay

 

Parte 2: Pescaria Noturna

No segundo dia o Cap. K não pôde nos guiar pois acabou ficando doente. Mas logo providenciou um guia para nos levar para a pescaria noturna utilizando plugs de superfície e meia-água.

Por volta das 20:30 partimos para a pesca.

Pescaria noturna com início as 9pm e término as 01am

Pescaria noturna com início as 9pm e término as 01am

Cenário indescritível com toda iluminação de Yokohama vista da Tokyo Bay.

Cenário da pescaria noturna (fonte: traveljapanblog.com)

Cenário da pescaria noturna (fonte: traveljapanblog.com)

Nesta noite também pude observar os precisos arremessos de Fly de Shuichi Gotoh. Um verdadeiro expert!

O experiente pescador de Fly Shuichi Gotoh.

Pescaria na companhia do experiente pescador de Fly Shuichi Gotoh.

As iscas utilizadas eram pequenos plugs prateados e transparentes. Usei plugs com cerca de 7 centímetros que era equivalente aos cardumes de peixes que estavam na flor dágua e eram os principais alimentos do Seabass.

A principal isca utilizada era um plug de meia água com barbelha longa e prateada. As principais cores para a pescaria noturna são a transparente e prateadas

A principal isca utilizada era um plug de meia água com barbelha longa e prateada.

E a teoria estava comprovada, realmente a pesca noturna do Seabass é muito mais eficiente! Em praticamente todos os points que nos aproximávamos que tinha iluminação na água, era possível observar os rebojos e ataques dos Seabasses na superfície.

Mas apesar da grande quantidade, o meu primeiro peixe capturado no pincho foi um Mebaru (メバル), peixe que não passa dos 20cm e é muito apreciado na culinária japonesa. O próprio Gotoh-san me disse que é melhor até mesmo que o do Seabass.

Primeiro peixe fisgado no pincho, conhecido como Mebaru (メバル)

Primeiro peixe fisgado no pincho, conhecido como Mebaru (メバル)

Já nos pinchos seguintes não deu outra, Seabass na linha!

Não demorou muito para fisgar o esperado Seabass

Não demorou muito para fisgar o esperado Seabass

Seguindo os conselhos do guia Masuda e Gotoh-san, aprendi que para capturar o Seabass o trabalho da isca deve ser bem lento, apenas com o recolhimento contínuo da isca na meia-água. O arremesso deve ser bem próximo as estruturas e paredões dos píers. O Seabass costuma ficar na sombra e ao observar a presa na iluminação, sobe a tona para atacá-la.

Diversas capturas seguindo os conselhos do Gotoh-san

Diversas capturas seguindo os conselhos do Gotoh-san

Um belo Seabass capturado no Fly por Shuichi Gotoh

Um belo Seabass capturado no Fly por Shuichi Gotoh

E foi isso aí amigos pescadores! Nem preciso mencionar que o frio estava de congelar os ossos. Mas a cada captura o corpo ia esquentando e a adrenalina de estar pescando em um cenário desses alimentava toda a fome de pescar.

Pescar Seabass no Japão foi um grande sonho realizado. Que venham as próximas aventuras!
Um abraço e boas jornadas a todos pescadores!

Guia de Pesca: Keiichiro Okamoto (Cap. K)
www.seakuro.com

  • Decio Serra Neto

    Lindas empreitadas na terra dos seus ancestrais Nagae… parabéns amigo… e grande abraço…

    baita peixe esse Sea Bass em =D

    • fishingstories

      Grande Decio! Muito obrigado pelo comentário!
      Esse Seabass é realmente um peixe muito forte e valente. Pegar um na faixa dos 90cm deve ser surreal!
      Abração!

  • marcelo silvestre

    Essa pescaria foi top, parabéns. Abraço.

    • fishingstories

      Valeu Marcelo! Essa pescaria foi um grande marco pra mim. abraços!

  • Daniel Lima

    Sensacional! Parabéns pela reportagem e pelo belos exemplares.

    • fishingstories

      Obrigado Daniel! abração!

  • André Alcalá

    bela matéria, excelente edição!

    • fishingstories

      Obrigado xará! Grande abraço!

  • Paulo De Tarso Dualiby

    Que bela aventura, Nagae! Para guardar com carinho na memória!
    Obrigado por compartilhar e um grande abraço, meu amigo!

    • fishingstories

      Salve Dual! Muito obrigado pelo comentário!
      Agora que já está arquivada aqui no site, vai ser muito bem lembrada 😉
      Abraços!